O que deveria representar um avanço histórico na saúde pública de São Francisco de Itabapoana transformou-se em um dos episódios mais graves de desperdício de dinheiro público já registrados no município. Em vídeo gravado diretamente do interior da chamada “nova ala” do Hospital Manoel Carola, a prefeita Yara Cinthia expôs, ponto a ponto, a realidade chocante de uma obra entregue em 2024 como se fosse uma UTI, mas que jamais reuniu condições mínimas para funcionar.
Assista o vídeo:
A cena é emblemática: corredores vazios, salas amplas, estrutura aparentemente moderna, e absolutamente inutilizável. Logo na entrada, um símbolo claro do improviso e da irresponsabilidade: o espaço destinado ao elevador simplesmente não possui elevador instalado. Um detalhe técnico? Não. Um impedimento estrutural que inviabiliza qualquer funcionamento hospitalar de média ou alta complexidade.
Segundo a prefeita, a ala foi inaugurada oficialmente no ano passado, mas nunca entrou em operação. E a explicação salta aos olhos. Não há energia elétrica adequada, as portas são incompatíveis com normas hospitalares, o espaço não atende às exigências técnicas nem para uma UTI, que o município sequer tem capacidade de manter, nem para uma UPG (Unidade de Pacientes Graves), alternativa viável e necessária para a população.
Ao mostrar o interior das salas, Yara Cinthia evidencia o nível da precariedade: pias sem torneiras, número insuficiente de tomadas, apenas uma pia onde seriam exigidas ao menos duas ou três, ausência total de equipamentos e nenhum profissional trabalhando no local. Tudo isso em uma obra que consumiu mais de R$ 4,5 milhões dos cofres públicos.
Um dos pontos mais graves revelados diz respeito aos supostos equipamentos que teriam sido usados apenas para “compor cenário” na inauguração. Furos nas paredes indicam que aparelhos chegaram a ser instalados temporariamente, mas hoje simplesmente não existem no hospital. Não há processos administrativos que comprovem compra, locação ou empréstimo. Ninguém sabe de onde vieram, nem para onde foram. Um fato que levanta suspeitas sérias e já está sob análise do Ministério Público.
A prefeita foi enfática ao desmontar uma narrativa que vinha sendo repetida por setores da oposição: se a obra tivesse sido realmente entregue pronta, por que a gestão anterior não a colocou em funcionamento ainda em 2024? A resposta é direta e constrangedora, porque não havia como funcionar. Não havia condições técnicas, legais ou operacionais.
Diante desse cenário, a atual gestão está impedida de intervir livremente no espaço. A obra está judicializada, sob análise do Ministério Público, que concedeu prazo até o dia 30 para que a empresa responsável conclua os serviços de forma adequada. No entanto, como constatado no local, não há qualquer equipe trabalhando, o que reforça o risco de mais atrasos e de um novo capítulo de impunidade.
Yara Cinthia deixa claro que não herdou apenas um prédio inacabado, mas um problema institucional grave, que exige transparência, responsabilidade e resposta firme das autoridades. “Não é a realidade que eu gostaria de ter encontrado”, afirma, ao reforçar que sua obrigação é prestar contas à população e trazer a verdade à tona, doa a quem doer.
A prefeita encerra o relato com um compromisso político e moral: lutar para que, em 2026, São Francisco de Itabapoana tenha, de fato, uma UPG funcionando, leitos de enfermagem dignos e uma estrutura de saúde que respeite o cidadão. Não uma obra de fachada, inaugurada para fotos e discursos, mas um equipamento público real, funcional e responsável.



Eu noto a gestão anterior. igual a família garotinhos. que sai do governo. e quer continuar mandando. ai começa a colocar defeito no governo atual. sem ter provas.
ResponderEliminar